Uma mulher, a filha e o namorado da jovem confessaram ter participado da simulação de um roubo de veículo registrado no dia 31 de agosto, nas proximidades do trevo de acesso a Benjamin Nott, junto à BR-158, em Cruz Alta. A investigação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de Cruz Alta apontou que o suposto assalto foi planejado para viabilizar uma fraude contra uma seguradora.
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Segundo a versão apresentada inicialmente à polícia, a mulher estaria acompanhada da filha quando precisou parar o veículo após um pneu furar. Enquanto realizava a troca, dois homens usando balaclavas teriam saído de uma área de mata, abordado as duas e levado o automóvel, fugindo em direção a Santa Maria.
Durante a investigação, porém, policiais analisaram imagens de videomonitoramento e cruzaram diferentes informações sobre a movimentação dos envolvidos antes e depois do suposto crime. Os elementos levantados apresentaram inconsistências na narrativa inicial e levaram os investigadores a reconstruir a dinâmica do caso.
A apuração apontou que o roubo havia sido simulado. O veículo foi localizado incendiado na segunda-feira (7), em uma área rural.
Nesta quarta-feira (9), a DRACO cumpriu três mandados de busca e apreensão relacionados ao caso. Durante as diligências, foram apreendidos aparelhos celulares, o veículo utilizado como apoio e outros elementos considerados de interesse para a investigação.
No decorrer das ações policiais, as duas mulheres apontadas inicialmente como vítimas e o namorado da filha confessaram participação na simulação.
Os envolvidos são investigados, em tese, pelos crimes de estelionato mediante fraude contra seguradora e falsa comunicação de crime. As diligências continuam para identificar todos os participantes e individualizar a conduta de cada um.
Segundo caso em aproximadamente um mês
Este é o segundo caso, em aproximadamente um mês, em que a DRACO de Cruz Alta esclarece uma ocorrência inicialmente apresentada como roubo de veículo e identifica uma possível fraude contra seguradora associada à falsa comunicação de crime.
No outro caso, registrado na saída para Ijuí, a falsa ocorrência também foi descoberta durante o andamento da investigação. O veículo envolvido acabou sendo localizado posteriormente desmanchado na região Norte do Estado.
Para a Polícia Civil, a repetição de casos semelhantes em um curto intervalo reforça a importância do trabalho especializado na verificação das informações apresentadas em registros de ocorrência.
A investigação permite confrontar as versões apresentadas com elementos objetivos, como imagens de câmeras, deslocamentos, comunicações e demais vestígios que possam contribuir para a reconstrução dos fatos.
A Polícia Civil também alerta que a comunicação falsa de um crime pode provocar consequências que ultrapassam os envolvidos diretamente na fraude. Uma ocorrência simulada mobiliza policiais, viaturas e recursos públicos para uma situação inexistente, além de contribuir para uma sensação indevida de insegurança e retirar efetivo de ocorrências e investigações de crimes reais.
A DRACO de Cruz Alta mantém as diligências para o completo esclarecimento do caso, identificação de todos os participantes e eventual responsabilização criminal dos envolvidos.