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Caso Gabriel: Quarto dia do júri é marcado pelos depoimentos dos três policiais acusados da morte do jovem

Acusados sustentaram que apenas atenderam ao pedido do jovem para deixá-lo na localidade de Lava-Pé e negaram qualquer violência durante a abordagem.

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Caso Gabriel: Quarto dia do júri é marcado pelos depoimentos dos três policiais acusados da morte do jovem
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Soldado Raul Veras Pedroso, Cléber Renato Ramos e Sargento Arleu Jacobsen (Fotos: Rafael Menezes).

Os três policiais militares acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro foram interrogados nesta quinta-feira, durante o quarto dia do Tribunal do Júri, no Fórum de São Gabriel. Os réus responderam às perguntas da juíza Liz Grätsch, dos advogados de defesa e dos jurados, mas optaram por não responder aos questionamentos do Ministério Público, exercendo o direito constitucional ao silêncio.

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Durante os depoimentos, todos negaram qualquer agressão contra Gabriel e mantiveram a versão de que apenas o deixaram na localidade de Lava-Pé, após o próprio jovem solicitar que fosse levado até a região.

O primeiro a prestar depoimento foi o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen, comandante da guarnição na noite dos fatos. Ele afirmou que a equipe foi acionada depois que uma moradora relatou que um homem tentava entrar em sua residência. Segundo o policial, ao chegar ao local, a mulher apenas pediu que Gabriel fosse retirado dali.

Jacobsen relatou que determinou que o jovem fosse algemado porque acreditava que ainda seria registrada uma ocorrência policial. Conforme seu depoimento, quando a moradora desistiu da representação, a guarnição perguntou a Gabriel onde ele gostaria de ser deixado. Segundo o sargento, o jovem respondeu que queria ir para localidade de Lava-Pé, nas proximidades de um colégio.

O policial afirmou que a equipe conduziu Gabriel até a região, retirou as algemas e o deixou próximo da última residência iluminada da estrada, orientando que seguisse em direção às casas. Em seguida, a guarnição retornou ao patrulhamento na área central da cidade até o fim do turno.

Questionado pela juíza, Jacobsen confirmou que foi ele quem determinou o uso das algemas e explicou que o ponto registrado pelo sistema de GPS corresponde ao local onde a viatura realizou a manobra de retorno. Também afirmou que a casa indicada por Gabriel não foi localizada e negou qualquer agressão física, declarando que jamais permitiria que um subordinado ou qualquer outro policial agredisse uma pessoa durante uma ocorrência. Aos jurados, reiterou que a decisão de deixar o jovem em Lava-Pé ocorreu porque esse teria sido o destino solicitado pelo próprio Gabriel.

Na sequência, o soldado Cléber Renato Ramos de Lima confirmou a mesma versão apresentada pelo comandante da guarnição. Segundo ele, Gabriel permaneceu algemado porque a ocorrência ainda estava em andamento e, após a desistência da moradora em registrar o fato, a equipe atendeu ao pedido do jovem para ser deixado na localidade de Lava-Pé.

Cléber também negou qualquer agressão durante a abordagem e afirmou que todos os procedimentos adotados pela guarnição seguiram os protocolos operacionais utilizados pela Brigada Militar.

O último interrogado foi o soldado Raul Veras Pedroso, apontado pela acusação como o policial que teria desferido golpes de cassetete contra Gabriel durante a abordagem. Ele negou a acusação e afirmou que nunca agrediu o jovem.

Pedroso contou que permaneceu ao lado de Gabriel enquanto o sargento conversava com a moradora e que tentou identificá-lo, perguntando de onde era. Segundo ele, Gabriel informou que era de Guaíba e estava hospedado na casa de familiares em São Gabriel.

Ainda conforme o policial, quando ouviu a moradora dizer que queria apenas que ele deixasse o local, Gabriel respondeu que não sairia porque não havia cometido nenhum crime. Pedroso afirmou que explicou ao jovem que a Brigada Militar havia sido acionada pelo telefone 190 e que ele precisaria deixar a frente da residência.

Ao responder aos questionamentos da defesa, Raul Veras Pedroso se emocionou ao relatar sua trajetória pessoal. Disse que perdeu o pai ainda jovem, assumiu responsabilidades financeiras da família, acompanhou o tratamento contra o câncer de sua mãe, que morreu em 2018, e passou a cuidar da irmã. Também afirmou que, após ser preso em razão do caso Gabriel, seu casamento terminou e que está há meses sem ver os filhos.

Chorando diante dos jurados, declarou que é inocente e afirmou que nem ele nem os demais colegas cometeram o crime.

No encerramento do interrogatório, Pedroso voltou a negar qualquer agressão contra Gabriel, declarou que jamais utilizou o bastão policial durante a ocorrência e afirmou que os equipamentos permaneceram o tempo todo acondicionados atrás do banco da viatura. Segundo ele, a acusação de que teria golpeado o jovem é falsa.

Com o encerramento dos interrogatórios dos três policiais militares, o julgamento segue nesta sexta-feira (3), para a fase dos debates entre acusação e defesa, etapa que antecede a votação dos jurados e a definição do veredito.

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Rafael Menezes ∴

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Equipe Rafael Menezes

Sou jornalista e radialista gaúcho, com mais de 23 anos de experiência na comunicação. Ao longo da minha trajetória, participei de coberturas jornalísticas de grande repercussão nacional e desenvolvi pautas em parceria com grandes nomes do jornalismo brasileiro.

Meu trabalho é sempre guiado pela ética, responsabilidade e compromisso com a verdade. Acredito em um jornalismo sério, transparente e próximo das pessoas, capaz de informar de forma clara e responsável.
A comunicação é minha paixão e, através dela, busco informar, conectar e dar voz aos fatos que realmente importam.

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